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Região Sudeste
Bairro-Escola: Horário Integral
Prática integra escola à comunidade
Prefeitura de Nova Iguaçu/RJ – Nova Iguaçu/RJ
Contatos: Maria Antônia Goulart - (21) 2667-5794
patricia.bairroescola@yahoo.com.br
Nova Iguaçu possui 103 escolas e cerca de 60,6 mil estudantes matriculados em 2007. O município tem um desafio universal a vencer: como abrir a escola à participação comunitária. Outro problema enfrentado passa pela vida da criança fora do horário regular e a relação estabelecida com a família. As famílias não têm recursos para que seus filhos aprendam línguas estrangeiras, informática, teatro ou pratiquem esportes.
Para enfrentar essas questões, a Prefeitura de Nova Iguaçu criou o projeto Bairro-Escola, que permite a oferta, em horário integral, de atividades no contra-turno escolar. As atividades foram pensadas como meio de interagir com o bairro, não apenas a partir dos conteúdos desenvolvidos, mas também pela ocupação de seus espaços. Assim, a sala da Igreja antes utilizada somente aos domingos, passou a abrigar as aulas de xadrez; a piscina do clube, ociosa nos dias de semana, vem sendo utilizada para natação; e a associação de moradores do bairro cedeu o pátio externo para realização de oficinas teatrais.
As crianças saem da escola acompanhadas por um monitor e caminham pelo bairro até o espaço das atividades. Para isso, foi preciso conversar com comerciantes, motoristas de ônibus, agentes de trânsito e outros agentes do bairro, para que compreendessem em que medida sua contribuição seria fundamental para a educação. Foi criado, ainda, uma instância para decidir sobre as novas demandas criadas: o Conselho Bairro-Escola, que vem sendo formado nos bairros e é composto por lideranças locais, representantes da escola, moradores, comerciantes, parceiros e membros do governo.
A partir da primeira Escola de Horário Integral, em março de 2006, o programa foi expandido para outras 19 escolas de 15 bairros da cidade. Isso significa que o Horário Integral vem sendo oferecido a 11.805 estudantes da rede e tem a participação de 359 oficineiros e 360 voluntários.
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Região Nordeste
Policultura no Semi-Árido
Agroecologia e permacultura revertem crise da agricultura familiar na Bahia
Instituto de Permacultura da Bahia – Salvador/BA
Contatos: (71) 3232-4025
permacultura@permacultura-bahia.org.br / www.permacultura-bahia.org.br
Resgatar a prática do plantio diversificado e reverter a crise da agricultura familiar nos municípios baianos de Cafarnaum, Ourolandia e Umburanas é a proposta do Projeto Policultura no Semi-Árido, realizado pelo Instituto de Permacultura da Bahia.
Baseado nos princípios da agroecologia e da permacultura, o projeto implementa práticas ambiental e economicamente sustentáveis, construídas com a união de conhecimentos empírico e técnico de profissionais e pequenos agricultores. Isso garante a segurança alimentar das famílias, diminui o êxodo rural e combate a desertificação da região.
Desde 2000, o projeto funciona com a implantação de policultivos em pequenas propriedades agrícolas, de cerca de mil metros quadrados, onde são manejados hortaliças, grãos, leguminosas, árvores frutíferas e lenhosas junto à criação de abelhas nativas e animais para consumo e venda.
Atualmente, existem 4 mil pessoas envolvidas no projeto, sendo que o número de agricultores familiares que aderiram espontaneamente à policultura passou de 40 para 748. Já os campos rendem em média 40% a mais do que a roça de monocultura. Quase 80 mil árvores nativas foram plantadas nas propriedades e a produtividade da terra aumentou em 20%.
A capacitação de 40 jovens ou Agentes Comunitários Rurais também foi feita. Desse total, 22 trabalham no próprio projeto. É deles o papel de visitar cada família e verificar a satisfação, tirar duvidas e passar informações técnicas. Com o mesmo propósito, reuniões periódicas são realizadas nas comunidades e quatro Associações de Policultores foram criadas.
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Região Sul
Silagem de Colostro
Agricultor economiza R$ 864 por ano para alimentar animais
Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência e Extensão
Rural - Ascar-RS/Emater – Pelotas/RS
Contatos: Mara Helena Saalfeld - (53) 3225-7700
pelotas@emater.tche.br
Terneira é o nome dado, no sul do país, às bezerras que, mais tarde, serão as vacas leiteiras de uma propriedade. Até o quarto ou quinto dia pós o nascimento, as crias devem beber o colostro, o primeiro leite produzido pelos mamíferos, para obter imunidade passiva, proteínas e vitamina A.
A partir do fim do colostro e até o segundo mês de vida, as terneiras precisam ser alimentadas com leite e consomem, nesse período, perto de 200 litros do alimento.
Para o pequeno agricultor da região de Pelotas, que cria, anualmente, cerca de oito terneiras, o custo com a alimentação das novilhas é muito alto e leva à busca por alternativas mais baratas, como o leite em pó. Sem boa alimentação, os animais se desenvolvem menos, ficam fracos e com problemas sanitários.
Cada vaca produz de 20 a 25 litros de colostro por dia, mas o consumo da terneira é, em média, de 4,5 litros. O restante costumava ser descartado no meio ambiente, se transformando em agente poluidor.
Para aproveitar o colostro, a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ascar/Emater-RS) passou a pesquisar a possibilidade de armazenar o excedente do produto. O congelamento poderia resolver, mas não seria economicamente viável pelos custos com energia elétrica. Então, se havia silos para grãos e sementes, por que não poderia haver a silagem de colostro?
Os experimentos mostraram que a idéia dava certo. A silagem é muito simples e praticamente não precisa de recursos financeiros. Basta higienizar garrafas PET com água e sabão, preenchê-las com o colostro, mantê-las sem a presença de ar e empilhá-las ao abrigo da luz em galpões, onde podem permanecer por anos, totalmente conservadas.
Como o colostro tem o dobro de proteínas do leite normal, o conteúdo das garrafas passou a ser diluído. O resultado é que as terneiras podem ser alimentadas com a silagem de colostro nos dois primeiros meses de vida, sem nenhum prejuízo para o seu desenvolvimento e com muita economia para o agricultor, que deixou de gastar por ano, R$ 864 na alimentação de cada animal.
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Região Centro-Oeste
Agroextrativismo Sustentável da Favela
Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) – Goiânia/Goiás
Orélio Araújo da Silva - (62) 3202-6041
cedac@cedac-ong.org.br
A favela (Dimorphandra sp) é uma leguminosa do cerrado, de grande interesse para a indústria farmacêutica. De seus frutos são extraídas substâncias como a rutina, usada no tratamento do glaucoma e de doenças circulatórias, e a quercetina, açúcar utilizado em complementos alimentares.
Em 2000, o Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) realizou um diagnóstico sócio-ambiental do extrativismo da favela em sete municípios do nordeste goiano. Os resultados indicaram extração predatória, baixa produtividade, desequilíbrio na cadeia de comercialização regional – já que os coletores ficavam com a menor parte dos rendimentos –, trabalho infantil e desvalorização da força de trabalho feminina. Para reverter a situação, o Cedac organizou o Projeto Agroextrativismo Sustentável da Favela para envolver extrativistas de Minas Gerais, Goiás e Bahia em uma rede do bioma cerrado. A proposta era promover uma série de capacitações que resultasse no desenvolvimento da coleta dos frutos, na implementação do manejo sustentável, domínio sobre a cadeia da comercialização e aumento da renda.
A atividade começou com um grupo-piloto de 52 pessoas de seis comunidades do município de São Domingos/GO. Em 2006, o número de famílias passou para 400, organizadas em núcleos comunitários. Cada um tem um monitor responsável por devolver à comunidade as informações repassadas nas reuniões mensais, pela mobilização e organização do pessoal para o trabalho em rede e pela implementação das atividades. A participação dos agroextrativistas da favela na Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado e na Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado (Coopecerrado), possibilitou o aumento da produção e da renda, a venda direta às indústrias e a criação das primeiras reservas extrativistas do cerrado, a Lago do Cedro, em Aruanã/GO, e a Recanto das Araras de Terra Ronca, em São Domingos/GO.
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Região Norte
Encauchados de Vegetais da Amazônia
Experiência do Acre resgata técnica indígena de fabricação da borracha
Polo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio) – Rio Branco/AC
Contatos: Maria Zélia Machado Damasceno - (68) 3229-6291
poloprobio@yahoo.com.br
Há muito que a extração da borracha perdeu importância econômica nos seringais do norte brasileiro. Os habitantes mais comuns dos seringais nativos, os indígenas e migrantes nordestinos, começaram a procurar os grandes centros urbanos para sobreviver, levando inchaço e bolsões de miséria às periferias. Com a redução dessa população, some também boa parte dos conhecimentos tradicionais de manejo das florestas.
Para gerar trabalho e renda para a população extrativista da Amazônia, por meio da transformação do látex nativo em produtos sustentáveis, combinando técnicas de saber popular e de conhecimento científico, o Pólo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio) está recuperando uma das técnicas indígenas usadas antigamente.
Os encauchados de vegetais usam a desidratação do látex na temperatura ambiente. Inicialmente, foi desenvolvido um processo de fabricação da água de cinzas para estabilizá-lo, em substituição à amônia (NH3) ou ao hidróxido de potássio (KOH). Ela é usada, ainda, como indutora para a produção dos pigmentos vegetais, em substituição ao etanol e como estabilizante para as fibras vegetais, garantindo compatibilidade entre látex, fibras e pigmentos em suas composições.
O látex é colhido de seringueiras nativas, através de manejo comunitário de baixo impacto. A vulcanização é realizada por meio de aquecimento controlado. As fibras vegetais são produzidas a partir da trituração artesanal de espécies com alta incidência na flora local. Cargas e pigmentos misturados ao látex são desidratados pela evaporação na temperatura ambiente, reduzindo assim os custos de produção.
Todos os processos do novo sistema produtivo foram pesquisados, juntamente com índios e seringueiros, pelo professor Francisco Samonek, a partir de 1994. Alguns dos resultados do projeto são a criação de um processo de fabricação de tecido emborrachado e a implantação de unidades para a produção do tecido emborrachado e para as fibras vegetais no Acre.
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Gestão de Recursos Hídricos
Projeto Córrego da Serra
Comunidade preserva córrego em Rubiatá
Colégio Estadual Raimundo Santana Amaral – Rubiatá/GO
Contatos: Ivanete Oliveira dos Santos Pessoa - (62) 3225-3143
cersa2010@yahoo.com.br
Em 1999, a vontade de oferecer uma aula inovadora e dinâmica aos alunos do Colégio Estadual Raimundo Santana Amaral, em Rubiataba (GO), fez com que os alunos fossem até um córrego que passava pela cidade para tentar fazer ali um laboratório vivo. No entanto, o que encontraram foi uma área degradada, poluída, sem mata ciliar e cheia de entulhos e animais mortos. Ao voltar para a escola, os estudantes resolveram limpar o córrego. A ação envolveu toda a comunidade, o poder público e chamou a atenção dos moradores da cidade para a importância da conservação dos recursos naturais, começando por aqueles do entorno.
O trabalho com o córrego teve continuidade com a pesquisa de seus afluentes, sua história e também sobre a vida dos moradores dos arredores, que ajudaram a reconstituir a mata ciliar tirando da memória o que havia no lugar do assoreamento. A idéia levou à criação de um banco de sementes e à produção de mudas em um viveiro da prefeitura. O que antes era árido virou uma floresta fértil.
Todos os afluentes do Córrego da Serra, agora já bem conhecido e chamado pelo nome em Rubiataba, foram registrados e são monitorados até hoje com a ajuda da população. Nas andanças por suas margens, os participantes do projeto encontraram um matadouro que poluía as águas. Graças à intensa mobilização da comunidade, o prédio foi desapropriado e transformado em uma escola ecológica, sede da organização não governamental que os estudantes do Raimundo Santana criaram para dar continuidade às ações.
Por ano, o local oferece oficinas de reciclagem de papel, tecelagem, turismo ecológico, carpintaria e artes plásticas a 120 alunos da rede de ensino da cidade, no contra-turno das aulas. A meta é atender adolescentes em situação de risco que estão fora da escola, oferecendo-lhes também a possibilidade de voltar a estudar.
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Direitos da Criança e do Adolescente
Monitoramento do Orçamento Criança
Controle do orçamento reforça políticas destinadas à criança e ao adolescente
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca/CE) – Fortaleza/CE
Contatos: Fábio Delano Vidal Carneiro - (85) 3252-4202
cedeca@cedecaceara.org.br
Em 1999, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca/CE) iniciou um controle do orçamento destinado às políticas públicas voltadas à criança e ao adolescente de Fortaleza. Em 2002, a entidade buscou parcerias para formatar um novo projeto em que os meninos e meninas protagonizassem o monitoramento e pudessem dar a ele sua própria voz e anseios.
As mudanças começaram a surgir em 2003, quando duas organizações não-governamentais escolheram um grupo de 50 pessoas nos bairros que atendiam para participar do Monitoramento do Orçamento da Criança. A primeira ação foi o “Diagnóstico da Cidade”.
Por meio dele, as crianças e jovens conheceram a história de Fortaleza e receberam capacitações em temas como direitos humanos, políticas sociais, gênero, raça, etnia e orçamento público. Depois, foram convidados a realizar o “Percurso Urbano”, tirando fotos de flagrantes de situações enfrentadas por pessoas de suas idades, de todas as classes sociais. Foram, então, levados a refletir sobre as diferenças socioculturais. O material coletado foi discutido em pequenos grupos e, por fim, em uma plenária geral onde as idéias foram amadurecidas para se transformar em emendas ao orçamento, mais tarde apresentadas à Câmara Municipal.
Três das 33 propostas foram aprovadas em plenário, levando à continuidade da ação no ano seguinte, com a abertura de novas turmas que incluíam participantes da versão anterior. No final do processo, nove das 15 emendas apresentadas foram aprovadas, mostrando o amadurecimento da idéia.
A partir de 2005, para fortalecer o trabalho e envolver outros interessados, foi criada a Rede de Adolescentes Orçamento e Participação Ativa (OPA), com 70 membros, responsáveis, desde então, pelo monitoramento do orçamento e execução orçamentária nas políticas públicas voltadas à infância e adolescência de Fortaleza.
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Aproveitamento de rejeitos
Óleo vegetal usado como biocombustível
Instituto Morro da Cutia de Agroecologia (Imca) – Montenegro/RS
Contatos: Luiz Carlos Laux / Paulo Lenhardt - (51) 3649-6087
morrodacutia@morrodacutia.org
A destinação final do óleo vegetal usado na preparação de alimentos nos lares, restaurantes e indústrias é um problema ambiental pouco discutido. Jogar o produto no ralo da pia ou diretamente no lixo comum pode contaminar águas superficiais, ecossistemas aquáticos e o solo, impermeabilizando a área afetada.
Dentre as soluções conhecidas para a reutilização do óleo vegetal, nenhuma leva em conta as potencialidades de sua utilização como combustível para automóveis e utilitários.
A tecnologia do óleo vegetal usado como biocombustível preserva os recursos hídricos e garante o empoderamento comunitário, disseminando alternativas de geração de energia apropriáveis e reaplicáveis pelas comunidades rurais.
O projeto vem sendo desenvolvido em Montenegro (RS). A primeira etapa é a implantação de um sistema de coleta do material. Uma vez recolhido, o óleo é levado à estação de limpeza, onde é filtrado e decantado, tornando-se apropriado para a utilização como biocombustível.
Para cada 10 litros, é possível produzir cerca de 6 litros de combustível, com uma eficiência energética compatível com o diesel. O óleo vegetal pode ser usado como combustível nos veículos automotores movidos a diesel adaptados para recebê-lo.
O processo consiste na instalação de um sistema que permite a manutenção do biocombustível em uma temperatura mais alta, equiparando sua viscosidade ao empregado usualmente.
Alguns resultados do projeto são a reciclagem de cerca de 20 mil litros de óleo vegetal; 160 agricultores familiares e técnicos capacitados para realizar a conversão de motores, feita em apenas 24 horas; quatro tratores e dois caminhões, três caminhonetas e um barco convertidos e cem mil quilômetros rodados com óleo vegetal reciclado no veículo piloto, uma caminhonete S10, que tem sido mostrada em inúmeros eventos pelo Brasil.
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